É notório que as
transformações pelas quais a sociedade contemporânea vem passando exigem de nós,
em todos os momentos, uma nova postura. E para a escola e todos que fazem parte
dela não é diferente. As inovações tecnológicas e científicas passam a cobrar
novos modelos de formação, atuação e interação dos sujeitos sociais, cabendo
principalmente ao coordenador pedagógico o papel de articulador da formação
continuada incluindo a tecnologia digital no processo de ensino e aprendizagem.
Desse fato surgem dois
grandes desafios: formar inicialmente os novos coordenadores pedagógicos de
acordo com essas tendências e necessidades atuais e também convencer os professores
a aderir a esse grande e inevitável projeto capaz de alterar toda a dinâmica da
sala de aula.
É certo que a tecnologia tem
chegado à escola com rapidez, contudo, Almeida (2000) salienta que embora os
computadores estejam cada vez mais presentes nas escolas ainda não sentimos o
impacto das mudanças nos indicadores educacionais e nem temos garantias de que o
trabalho docente terá mais qualidade. Muitos professores, por mais absurdo que
possa parecer, realmente desconhecem essas potencialidades, porém a maioria não
inclui as tecnologias em suas rotinas em sala de aula porque não acredita no
resultado que pode alcançar ou simplesmente porque continua presa a práticas
tradicionais nas quais muitos foram formados.
Diversos pesquisadores
(ALMEIDA, 2000; KENSKI, 2004; ROCHA, SALES, OLIVEIRA, 2011; WAGNER, 2009)
apontam que os educadores têm dificuldade de ressignificar suas práticas
educativas e incorporar as TDICs ao currículo escolar. Na prática, a tecnologia
na escola caminha a passos lentos, mais por falta de qualificação dos recursos
humanos do que aportes financeiros. Um elemento que comprova isso é a
resistência que os docentes encontram para aceitar em sala de aula o uso pelos
alunos de celulares, tablets, notebooks e muitos outros equipamentos presentes
na vida de adolescentes de várias classes sociais, acreditando que essas
ferramentas somente atrapalham o processo de ensino aprendizagem dos alunos e a
si mesmos.
No entanto, para Valente
(2003), a experiência de implementação da tecnologia no meio educacional é
fundamental e permitirá, ao docente, novas ferramentas pedagógicas com o
objetivo de uma atuação pedagógica de qualidade. Assim, o professor também é privilegiado,
pois não mais age de forma isolada. Precisa interagir com todos os atores do
processo, instigando-os à curiosidade, à reflexão, à criação de um ambiente
colaborativo, no qual todos ensinam e aprendem mutuamente, de maneira
interessante e moderna.
Na escola, a aplicação
mais conhecida da tecnologia talvez seja a sala de informática educativa, lugar
onde a inclusão digital de milhares de estudantes brasileiros é concretizada.
Apesar disso, pesquisa da Fundação Victor Civita (2010) apontou que 92% das
escolas brasileiras estão equipadas com computadores multimídia, contudo pouco
menos de 4% utilizam os recursos tecnológicos com fins educativos. O estudo
concluiu que 89% dos professores sentem-se despreparados para o uso da tecnologia
no currículo escolar, sendo imprescindível que haja mudanças na formação e na postura
tanto do professore quanto do próprio coordenador, que neste contexto é uma
peça chave, pois é o profissional que contribui apoiando o docente no
planejamento de suas atividades pedagógicas.
Existem inúmeras maneiras de
ensinar e aprender usando a tecnologia de forma educativa e uma delas é por
meio das comunidades virtuais. Este curso de formação em coordenação pedagógica
é um bom exemplo de aprendizagem colaborativa, pois reflete de forma bem atual
este novo enfoque cuja verdadeira aprendizagem só ocorre se houver envolvimento
mútuo, partilha e iniciativa conjunta.
Obviamente que não existem
receitas prontas para o sucesso da tecnologia na escola. Porém cabe ao
professor ampliar seu papel, tornando-se um mediador, um orientador ou
facilitador do processo de ensino, auxiliando os alunos a interpretar os dados,
relacioná-los e contextualizá-los, motivando-os à construção do saber, pois
insistir na didática transmissor/receptor é inútil. Dessa forma cabe ao
coordenador pedagógico fazer a ponte entre o professor e as tecnologias que
devem ser usadas como instrumentos a mais no processo, contribuindo para a
adoção de um novo modelo de educação que privilegie a
aprendizagem ao invés do ensino.
Está claro que as
ferramentas tecnológicas revelam múltiplas potencialidades, que devem ser
melhor aproveitadas no ambiente educacional. Todavia, somente será possível, se
o professor assumir a postura de principal agente promotor de mudança da
estrutura tradicional para o novo paradigma no processo ensino/aprendizagem. Nesse
contexto, o coordenador tem que estar apto a ajudar o professor a perceber que
a educação não se resume à transmissão de informação; é algo muito maior. E o
professor, por sua vez, precisa abraçar esse novo processo de construção do
conhecimento, em que o computador se destaca como um instrumento capaz de
auxilia-lo enquanto mediador da relação ensinar aprender.
Nenhum comentário:
Postar um comentário